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05 09

Assistente social cria ONG para zelar pelo próximo

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Aos poucos elas vêm chegando. Entram na sede da Associação Mãe Águia correndo, como se esperassem muito por aquele momento. Logo atrás vem a mãe ou algum familiar. Em poucos minutos todos se juntam e começam a brincar, como fazem todas as crianças. Mas ali, no grupo, todas sofreram alguma violência sexual.

Para a presidente e fundadora da ONG, Daniela de Cássia Duarte, a presença de cada um nas atividades é muito comemorada. “Isso mostra que eles não desistiram do atendimento da instituição, que estão se sentindo acolhidos aqui. Nossa missão é ensinar resiliência e de alguma forma ir amenizando a dor que já sofreram”.

Há três anos e oito meses, a paranaense de Ponta Grossa tem ajudado centenas de casos com a entidade. São crianças de 2 a 17 anos, encaminhadas pelo Sistema de Garantia de Direitos e da Rede de Atendimento à Criança e ao Adolescente, como Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Conselhos Tutelares de todas as regiões da cidade e Defensoria Pública.

Filha de pais separados e se vendo com a missão de cuidar dos irmãos mais novos, ela levou para a vida a vontade de zelar por quem precisa. Há 20 anos, Daniela enxergou a necessidade de olhar pelos pequenos que sofreram algum tipo de abuso e não ganhavam a assistência devida. Formou-se em Serviço Social e, em 2012, fez o trabalho de conclusão de curso com o tema que pratica militância.

“Durante a pesquisa, analisamos o estado de vulnerabilidade das crianças e adolescentes para trabalhos de prevenção. A recomendação dos meus orientadores era usar o TCC para criar a ONG”. Deixando de apenas palestrar sobre prevenção para não ter uma vítima de violência sexual dentro de casa, a assistente social iniciou o projeto para que não haja reincidência dos abusos e o convívio do agressor com a criança, após a denúncia.

“Aqui conseguimos monitorar de perto a rotina da família. A criança conta por exemplo se o padrastro que a molestou voltou a dormir na casa que ela mora. Aí é nosso papel avisar o judiciário para intervir e evitar que ela sofra novamente”. Além de dar a atenção necessária e garantir que os direitos da criança não sejam violados, a entidade oferece sessões de psicoterapia e demais atividades que amenizam os traumas.

Todo o serviço é feito gratuitamente e os profissionais atuam de forma voluntária. São seis psicólogos, três assistentes sociais e um artista plástico. A entidade ainda conta com seis acadêmicos de serviço social.

Apesar de fazer trabalho que deveria ser realizado pelos órgãos públicos, a Associação Mãe Águia sobrevive de doações. Não há verba do governo municipal, nem estadual para a entidade e toda a renda arrecada é de ações de associados.

As dificuldades para manter o local já fizeram Daniela desanimar e quase desistir. “As barreiras para continuar o trabalho sem a ajuda que precisamos já me abateram muito. Mas quando eu vejo a alegria dessas crianças não tem como desistir. Conseguimos dar uma nova perspectiva de vida para elas e empoderamento de valores para a família”, enfatiza.

 São mais de 200 crianças e adolescentes em atendimento. Só no ano passado 89 casos iniciaram atividades na ONG. Já neste ano são 48 novos integrantes no projeto. Uma forma de conseguir recursos é administrando palestras em empresas privadas, com mais de 50 funcionários. Neste ano Daniela também tem ministrado curso de prevenção de abuso sexual para agentes de saúde.



Fonte: Correio do Estado