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Decreto do Governo vai exigir o BIM até 2021! Entenda mais sobre isso!

09/11/2018
Decreto do Governo vai exigir o BIM até 2021! Entenda mais sobre isso!


 

Por meio da publicação do Decreto nº 9.377, de 17 de maio de 2018, o governo federal oficializou a Estratégia Nacional para a Disseminação do Building Information Modeling (BIM), ou Estratégia BIM BR, cuja finalidade é promover um ambiente adequado ao investimento na metodologia e sua difusão no Brasil.
 

A assinatura do decreto é passo decisivo para a democratização do uso do BIM, inovação tecnológica que revoluciona o processo construtivo, objetivo estratégico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Articuladora da medida junto ao governo federal, a CBIC tem trabalhado em correalização com o SENAI Nacional para garantir que empresas médias e pequenas também adotem o BIM nos seus empreendimentos e projetos, com vistas a conquistar mais produtividade, transparência e economicidade. “O governo federal, como grande cliente, têm o poder de induzir o uso do BIM por todo o mercado. Haverá um ganho significativo de gestão, transparência e produtividade. Isso interessa a todos”, diz José Carlos Martins, presidente da CBIC.

 

Para o professor Sergio Scheer, especialista participante do Comitê Estratégico de Implementação do BIM, o uso dessa tecnologia vai beneficiar a construção civil.

 

“Os projetos serão melhor desenvolvidos e as construções terão mais qualidade. O setor sofrerá com menos desperdício e retrabalho, o que vai fazer com que o uso do recurso público envolvido seja melhor aproveitado”, garante.
 

Com essa ação, a expectativa é de que haja um aumento de 10% na produtividade do setor e uma redução de custo que pode chegar a 20%, de acordo com estudos contratados pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
 

Segundo os estudos da Agência, somente 5% das empresas usam a ferramenta. Se metade da cadeia da construção (em faturamento) adotar a plataforma até 2028, haverá ganho de 7 pontos percentuais do PIB do setor.

 

 

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Ações estratégicas para disseminação do BIM

A iniciativa elaborada durante um ano por um grupo formado por sete ministérios, conta com nove diretrizes:

  1. Difundir o BIM e seus benefícios;
  2. Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM;
  3. Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado;
  4. Estimular a capacitação;
  5. Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e as contratações públicas;
  6. Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos;
  7. Desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM;
  8. Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM;
  9. Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade.

 

A proposta da Estratégia BIM BR é que a exigência do BIM nas compras do Poder Público seja feita de forma escalonada, para conferir tempo de adaptação ao mercado e ao setor público.

Assim, os prazos para implementação foram divididos em três etapas:

  • A partir de janeiro de 2021: a exigência de BIM se dará na elaboração de modelos para a arquitetura e engenharia nas disciplinas de estrutura, hidráulica, AVAC e elétrica na detecção de interferências, na extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica a partir desses modelos;

 

  • A partir de janeiro de 2024: os modelos deverão contemplar algumas etapas que envolvem a obra, como o planejamento da execução da obra, na orçamentação e na atualização dos modelos e de suas informações como construído (“as built”). Além das exigências da primeira fase.

 

  • A partir de janeiro de 2028: passará a abranger todo o ciclo de vida da obra ao considerar atividades do pós-obra. Será aplicado, no mínimo, nas construções novas, reformas, ampliações ou reabilitações, quando consideradas de média ou grande relevância, nos usos previstos na primeira e na segunda fases e, além disso, nos serviços de gerenciamento e de manutenção do empreendimento após sua conclusão.
 

 

Mudanças, capacitação e frentes de trabalho

Mudanças podem gerar certo desconforto, ainda que o objetivo seja facilitar a vida de engenheiros, arquitetos, projetistas e todos aqueles que vivenciam a cadeia da construção. Isso porque a pouca mão de obra qualificada, as dificuldades e a falta de padrões de desenho brasileiros causam receio por parte dos profissionais.

Mas o mesmo aconteceu na década de 1980, quando a tecnologia CAD (Computer Aided Design) veio ao Brasil. A transição não foi simples, segundo Scheer. Mas hoje é possível perceber quão forte é sua utilização no mercado, depois que os profissionais da construção passaram por capacitação. No caso do CAD, ele permite apenas que se crie representações de elementos construtivos, e não uma simulação virtual completa da obra como é no BIM.

Conforme Scheer, a implementação da tecnologia BIM na construção civil será bem mais drástica do que a mudança que aconteceu com a chegada da tecnologia CAD.

Por isso, para o professor, o principal desafio será a capacitação. “As pessoas têm que estar convencidas de que essa mudança é positiva. É uma mudança severa nas práticas, mas será por um bom motivo”, afirma.

Na opinião do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, a criação da Estratégia BIM é essencial, porque o governo é capaz de incentivar as empresas a migrar para essa plataforma tecnológica, tanto por meio de compras públicas quanto por capacitação.

 

Capacitar, inclusive, consta nas seis frentes de trabalho definidas na Estratégia de Implementação:

  1. Regulamentação e Normalização;
  2. Plataforma BIM;
  3. Capacitação de Recursos Humanos;
  4. Compras governamentais;
  5. Infraestrutura tecnológica;
  6. Comunicação.

Com a intenção de suprir a necessidade de preparar os profissionais, a partir do segundo semestre de 2018 já irão ocorrer ações de qualificação.

Como consta no Planejamento Estratégico de Implementação, a ação será feita por meio de treinamentos, sobretudo para o setor público. A estrutura de capacitação deve acontecer com ênfase em EaD (Educação a Distância).
 

Como ficam as faculdades de engenharia e arquitetura

Além dos profissionais que já atuam no mercado, é preciso levar em conta também aqueles que estão se preparando ainda nas cadeiras das universidades do País.

Nesse sentido, o Comitê Gestor da Estratégia será responsável por auxiliar faculdades de engenharia e arquitetura a criar disciplinas-modelo que possam ser adaptadas no currículo.

 

O Brasil no cenário mundial

A tecnologia BIM chegou ao Brasil em meados dos anos 2000. Em relação a outros países, o Brasil segue na média quando o assunto é a adoção da ferramenta. “Ainda estamos muito devagar, precisamos acelerar. O decreto é um aviso”, diz Scheer. Agora, com o anúncio do Governo Federal, espera-se que esse cenário seja diferente.

A inspiração da equipe que desenvolveu a estratégia de implementação do BIM vem do Reino Unido, referência no uso da tecnologia. Lá, foi estabelecida a data marco de 4 de abril de 2016 para que todos os fornecedores do Governo comprovem o uso do BIM em obras públicas.

No Reino Unido já é exigido BIM Nível 2 (modelagem e interoperalidade) e deverá chegar ao BIM Nível 3 até 2025. A ideia principal do governo é reduzir o custo de projeto, além de diminuir a emissão de carbono.

Na América do Sul, o Chile foi o pioneiro na adoção da tecnologia BIM em projetos públicos. Em 2016, o governo chileno divulgou o Plano BIM, que estabelece que todas as obras públicas estejam inseridas na plataforma tecnológica a partir de 2020.

No Brasil, Santa Catarina foi o primeiro estado a definir que até 2019 as licitações de obras públicas sejam feitas com a metodologia BIM. Para ajudar construtoras e incorporadoras, o governo local lançou o Caderno de Projetos em BIM. O documento, escrito por um grupo técnico criado em 2014, determina a padronização e a formatação que orientam o desenvolvimento de projetos em BIM.