Entenda Mais Sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais nas Escolas

 

Qualidade em educação: bem estar, equidade e relações raciais

Ainda não sabemos definir definitivamente o que é qualidade, quando tratamos das metas escolares. Alguns se dedicam a acreditar que a qualidade seria cercar a escola dos mais modernos equipamentos. Outros, concebem a qualidade como o padrão elevado de formação do corpo docente. Muitos entendem que qualidade é a alta taxa de aprovação dos alunos que entram na universidade. Mas essa discussão é ampla e requer tempo.

Nós, educadores e especialistas em educação, entendemos que a qualidade pode ser verificada pelo índice de satisfação dos alunos com o espaço escolar. Não, alunos não querem só brincar. Acreditem: alunos gostam de estudar, amam aprender coisas novas e adoram a escola.

A escola é seu primeiro espaço de socialização. Um espaço em que eles começam a pensar coisas que irão fazer parte de suas atividades por toda vida: como fazer amigos, quais regras podem ser criadas e desfeitas em um jogo, até aonde os mais velhos podem ou devem se meter nas decisões do grupo, como descobrir coisas e para que elas servem, como organizar o pensamento para estudar e aprender melhor. Enfim, alunos felizes com a escola, aprendem melhor. Um espaço escolar acolhedor, mesmo que não seja o mais moderno, tende a ter alunos mais assíduos. E, por fim, um currículo que consegue representar todos os indivíduos construtores de sua nação, tende a formar cidadãos mais conscientes de sua história, sua importância, sua potência.

 

Buscando essa representação equânime, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi alterada em 2003, inserindo História e Cultura Afro-brasileira e Africana em todos os níveis da educação. Essa obrigatoriedade encontra resistências 15 anos depois de ser sancionada. Essa não foi uma imposição, pelo contrário: o Movimento Social Negro lutou durante décadas para ver nos livros mais que negros escravizados, mas para que fosse contada a história de cada um desses povos que ajudaram a construir o Brasil cultural e materialmente.

Os museus da Inglaterra estão repletos de peças elaboradas por povos do continente africano. Como é possível ainda ser tão comum falar que os negros escravizados no país durante praticamente 400 anos não contribuíram em nada culturalmente? Como as crianças negras, periféricas, que não se veem na mídia e nem nos livros didáticos, poderiam sentir o mesmo pertencimento que as demais nesse espaço de formação? Se falamos que qualidade e bem estar estão juntos, como acreditar que a escola pode ser um espaço de qualidade para todos, com esse tratamento desigual? Se a minha escola não tem crianças negras, por que isso seria importante?

 

Se uma escola acredita na relação entre bem estar e qualidade, ela precisa investir na superação desse grande obstáculo pedagógico. Excelência em educação significa formar pessoas excelentes.

Se você já começou a tentar, sabe o quanto é difícil. Só não é impossível porque fizemos, deu certo e estamos aqui dispostos a contar como.


Texto escrito por Alessandra Pio

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