Prova Concurso - Arquitetura - 2016-TRT-8-REGIAO-PA-E-AP-ANALISTA-JUDICIARIO-ARQUITETURA-DISCURSIVA - CESPE - TRT - 2016

Prova - Arquitetura - 2016-TRT-8-REGIAO-PA-E-AP-ANALISTA-JUDICIARIO-ARQUITETURA-DISCURSIVA - CESPE - TRT - 2016

Detalhes

Profissão: Arquitetura
Cargo: 2016-TRT-8-REGIAO-PA-E-AP-ANALISTA-JUDICIARIO-ARQUITETURA-DISCURSIVA
Órgão: TRT
Banca: CESPE
Ano: 2016
Nível: Superior

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Gabarito

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CONCURSO

 

PÚBLICO

 

 

TRT

 

8.

ª 

REGIÃO 

 

C

ARGO 

3:

 

A

NALISTA 

J

UDICIÁRIO 

 

Á

REA

:

 

A

POIO 

E

SPECIALIZADO

 

E

SPECIALIDADE

:

 

A

RQUITETURA

 

 

P

ROVA 

D

ISCURSIVA

 

Aplicação: 13/3/2016 

 

PADRÃO DE RESPOSTA 

 

O processo de restauração da Igreja Matriz de Pirenópolis está de acordo com as ideias defendidas por 

Cesare Brandi, já que a intervenção feita na igreja restabeleceu a unidade potencial do edifício sem criar um falso 
artístico ou um falso histórico, sem cancelar nenhum traço da passagem da obra de arte no tempo. Não foram 
feitas réplicas; foram, sim, deixadas as marcas dos antigos altares barrocos destruídos pelo fogo.  

A comunidade local certamente foi a maior responsável pela defesa de seu patrimônio histórico e de sua 

cultura. Esse cuidado vai ao encontro da necessidade de uma gestão democrática da cidade, preconizada pelo 
Estatuto da Cidade, que confirma o poder do município sobre as suas questões administrativas. No Estatuto da 
Cidade, a participação da população está garantida por meio de audiências e consultas públicas. As Normas de 
Quito, por sua vez, defendem a colaboração múltipla e espontânea da população local, principalmente em se 
tratando de pequenas comunidades como é o caso de Pirenópolis. Dessa forma, foi importante ter sido dada voz à 
comunidade de Pirenópolis, que clamou pelo resgate de seu maior patrimônio, contrariando, assim, o discurso 
purista e anti-intervencionista de John Ruskin. 

Comparando-se as figuras C e F, em que são vistos os remanescentes dos altares destruídos pelo fogo, é 

possível inferir que Viollet-le-Duc, certamente, defenderia a construção de réplicas para a recomposição do interior 
da igreja, já que, para ele, a restauração deveria tornar o bem ainda melhor do que o original. A intervenção 
poderia contar com técnicas ainda mais sofisticadas do que aquelas usadas quando da construção do edifício. No 
caso em questão, verifica-se que o interior da Igreja Matriz de Pirenópolis está hoje mais empobrecido pela falta 
do arco cruzeiro original e dos altares barrocos.  

Além de mencionar a excepcionalidade da operação de restauro, a Carta de Atenas chama a atenção para 

a necessidade de deixar bem evidente a separação entre os materiais antigos e os novos, para que não seja 
cometido o “falso histórico” a que se refere Cesare Brandi.  

O candidato deverá se posicionar a respeito do caso em questão com base nas ideias apresentadas pelos 

autores citados no texto motivador. 
 

Prova

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CESPE | CEBRASPE  – TRT8 – Aplicação: 2016

PROVA DISCURSIVA

Nesta prova, faça o que se pede, usando, caso deseje, o espaço para rascunho indicado no presente caderno. Em seguida,
transcreva o texto para a FOLHA DE TEXTO DEFINITIVO DA PROVA DISCURSIVA, no local apropriado, pois não serão
avaliados fragmentos de texto escritos em locais indevidos.

Qualquer fragmento de texto que ultrapassar a extensão máxima de linhas disponibilizadas será desconsiderado.

Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no cabeçalho da primeira página, pois não será avaliado texto que tenha
qualquer assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado. Caso queira assinar seu texto, utilize apenas o nome
Analista Judiciário. Ao texto que contenha outra forma de identificação será atribuída nota zero, correspondente à identificação
do candidato em local indevido.

Nesta prova, ao domínio do conteúdo serão atribuídos até 40,00 pontos, dos quais até 2,00 pontos serão atribuídos ao quesito
apresentação (legibilidade, respeito às margens e indicação de parágrafos) e estrutura textual (organização das ideias em texto
estruturado).

A. 1728-1732: Construção da igreja
1941: Tombamento como exemplar do colonial
brasileiro.

B. 1996-1999: Primeira restauração
arquitetônica completa.

C. 1996-1999: Restauração dos elementos
artísticos: arco cruzeiro e altares barrocos.

D. 2002: Incêndio, com destruição parcial do
edifício e ruína dos elementos artísticos.

E. 2003-2006: Segunda restauração
arquitetônica.

F. 2006: Preservação das marcas dos altares
destruídos pelo fogo. O altar de uma igreja
extinta ocupa o altar-mor.

referências teóricas

John Ruskin
(1819-1900)

"[...] a melhor forma de destruir um monumento é restaurá-lo. A restauração se
presta com perfeição à manipulação de informações, à adulteração da história
segundo a vontade de quem o restaura".

Eugène Viollet-le-Duc
(1814-1879)

"Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo
a um estado de inteireza que pode não ter existido nunca em um dado momento
[...] Nenhum povo, em épocas passadas, pretendeu fazer restauros como nós
fazemos hoje".

Cesare Brandi
(1906-1988)

"A restauração deve visar ao restabelecimento da unidade potencial da obra de
arte, desde que isso seja possível sem cometer um falso artístico ou um falso
histórico, e sem cancelar nenhum traço da passagem da obra de arte no tempo".

Carta de Veneza, 1964: "[...] o restauro é uma operação que deve ter um caráter excepcional.

Destina-se a conservar e a revelar os valores estéticos e históricos dos monumentos e se baseia no
respeito pelas substâncias antigas e pelos documentos autênticos [...]. Os elementos de integração serão
sempre reconhecíveis e representarão o mínimo necessário para assegurar a conservação do monumento
e restabelecer a continuidade das suas formas".

Normas de Quito, 1967: "Do seio de cada comunidade pode e deve surgir a voz de alarme e

a ação vigilante e preventiva [...] Em qualquer caso, a colaboração espontânea e múltipla dos
particulares na valorização do patrimônio é absolutamente imprescindível, especialmente nas pequenas
comunidades".

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CESPE | CEBRASPE  – TRT8 – Aplicação: 2016

As figuras precedentes mostram a Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, da cidade de

Pirenópolis – GO, construída no período de 1728 a 1732 e alvo de duas restaurações arquitetônicas ao
longo de sua história. A restauração feita após o incêndio de 2002 gerou polêmica: alguns defendiam a
tese da existência de contrassenso na recuperação do que chamavam de ruína; outros se manifestavam
favoráveis à preservação da originalidade da ruína; e muitos aprovavam a restauração da arquitetura
da Matriz julgando não se tratar de uma ruína, pois não havia decorrido um tempo necessário ao
arruinamento do edifício, que havia sido vitimado por um grave acidente. Alheia às discussões
teórico-conceituais, a comunidade de Pirenópolis tomou a iniciativa de lutar para resgatar sua Igreja
Matriz que, além de ser um marco significativo na paisagem urbana, constitui o maior símbolo de sua
cultura.

Tendo como referência essas informações e à luz do Estatuto da Cidade, analise o processo de restauração da Igreja Matriz de Nossa
Senhora do Rosário. Em seu texto, faça, o que se pede a seguir.

< Apresente conceitos utilizados na restauração da Matriz. [valor: 8,50 pontos]
< Explique o papel da comunidade local. [valor: 8,50 pontos]
< Discorra sobre a corrente intervencionista. [valor: 8,50 pontos]
< Trace um paralelo da separação visual entre o antigo e o novo. [valor: 8,50 pontos]
< Discorra acerca de sua própria posição diante do processo de restauração. [valor: 4,00 pontos]

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CESPE | CEBRASPE  – TRT8 – Aplicação: 2016

R

ASCUNHO

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