Prova Concurso - Pedagogia - DOCENTE-I-LINGUA-PORTUGUESA - COSEAC - PREFEITURA - 2018

Prova - Pedagogia - DOCENTE-I-LINGUA-PORTUGUESA - COSEAC - PREFEITURA - 2018

Detalhes

Profissão: Pedagogia
Cargo: DOCENTE-I-LINGUA-PORTUGUESA
Órgão: PREFEITURA
Banca: COSEAC
Ano: 2018
Nível: Superior

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Gabarito

coseac-2018-prefeitura-de-marica-rj-docente-i-lingua-portuguesa-gabarito.pdf-html.html

               

UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 

         COSEAC - COORDENAÇÃO DE SELEÇÃO ACADÊMICA 
                 PMM - PREFEITURA MUNICIPAL DE MARICÁ 
    CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DA  
                       PREFEITURA MUNICIPAL DE MARICÁ 
                                         EDITAL N

O

 1/2018 

 

GABARITO 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prof. Luiz  Antonio dos Santos Cruz 

Coordenador Geral da COSEAC/UFF 

 

Cargo: 

DOCENTE I 

– LÍNGUA PORTUGUESA

 

NÍVEL: 

SUPERIOR I 

Tópico: 

Literatura 

Brasileira  

Tópico: Raciocínio 

Lógico e Noções 

de Informática 

Tópico: Conhecimentos  

Específicos 

01 

11 

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09 

19 

29 

39 

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10 

20 

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40 

50 

TIPO DE PROVA 

Prova

coseac-2018-prefeitura-de-marica-rj-docente-i-lingua-portuguesa-prova.pdf-html.html

 

 

 

UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 

COSEAC - COORDENAÇÃO DE SELEÇÃO ACADÊMICA 

PMM - PREFEITURA MUNICIPAL DE MARICÁ 

CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DA  

PREFEITURA MUNICIPAL DE MARICÁ 

EDITAL N

O

 1/2018 

 

Leia atentamente todas as informações da Capa do Caderno de Questões antes de começar a Prova. 

 

 

 

 

De acordo com o subitem 7.15.13 do Edital, cabe ao candidato conferir se a letra do TIPO DE 

PROVA  constante  em  seu  Cartão  de  Respostas  corresponde  a  letra  do  TIPO  DE  PROVA 

desse Caderno de Questões recebido. Caso haja qualquer divergência, o candidato deverá, 

imediatamente, informar ao Fiscal de Sala e solicitar a substituição do Caderno de Questões. 

O  Cartão  de  Respostas  será  corrigido  de  acordo  com  o  gabarito  do  TIPO  DE  PROVA 

constante no seu Cartão de Respostas. 

 

Cargo: 

DOCENTE I 

– LÍNGUA PORTUGUESA

 

NÍVEL: 

SUPERIOR I 

 

CADERNO DE QUESTÕES 

 

Instruções ao candidato 

(Parte integrante do Edital 

– subitem 13.2) 

 

 

Ao  receber  este  Caderno  de  Questões,  confira  se  o  cargo  indicado  é  aquele  para  o  qual  você  está 
concorrendo, se não for notifique imediatamente ao Fiscal. Você será responsável pelas consequências se 
fizer a Prova para um cargo diferente daquele a que concorre. 

 

Além deste Caderno de Questões, você deverá ter recebido o Cartão de Respostas e a Folha da Prova 
Dissertativa

 

Verifique  se  constam  deste  Caderno,  de  forma  legível,  50  questões  objetivas,  a  proposta  da  Prova 
Dissertativa
 e espaços para rascunho. Caso contrário, notifique imediatamente ao Fiscal. 

 

Confira seus dados com os que aparecem no Cartão de Respostas e na Folha da Prova Dissertativa. Se 
eles  estiverem  corretos,  assine  o  Cartão  de  Respostas  e  leia  atentamente  as  instruções  para  seu 
preenchimento. Caso contrário, notifique imediatamente ao Fiscal. 

 

Em  hipótese  alguma  haverá  substituição  do  Caderno  de  Questões,  do  Cartão  de  Respostas  ou  da         
Folha da Prova Dissertativa se você cometer erros ou rasuras durante a prova. 

 

Sob pena de eliminação do concurso, não é permitido fazer uso de instrumentos auxiliares para cálculos ou 
desenhos,  ou  portar  qualquer  material  que  sirva  de  consulta  ou  comunicação.  Da  mesma  forma,  não  é 
permitido fazer registros na Folha da Prova Dissertativa que possibilite a identificação do candidato. 

   A Folha da Prova Dissertativa será desidentificada pelo Fiscal na sua presença. 

 

Cada questão objetiva apresenta cinco opções de respostas, sendo apenas uma delas a correta. No   Cartão 
de  Respostas
,  para  cada  questão,  assinale  apenas  uma  opção,  pois  será  atribuída  pontuação  zero  à 
questão da Prova que contiver mais de uma ou nenhuma opção assinalada, emenda ou rasura. 

 

O  tempo  disponível  para  você  fazer  esta  Prova  (Prova  Objetiva  e  Prova  Dissertativa),  incluindo  o 
preenchimento do Cartão de Respostas, é de quatro horas e trinta minutos. 

 

Colabore com o Fiscal, na coleta da impressão digital. 

 

Use  somente  caneta  esferográfica  de  corpo  transparente  e  de  ponta  média  com  tinta  azul  ou  preta  para 
preencher o Cartão de Respostas e fazer a Prova Dissertativa. Não é permitido uso de lápis mesmo que 
para rascunho. 

 

Terminando a prova, entregue ao Fiscal o Cartão de Respostas assinado e a Folha da Prova Dissertativa
A não entrega desse material implicará a sua eliminação no Concurso. 

 

Somente será permitido na última hora que antecede ao término da Prova levar o Caderno de Questões

Após o aviso para o início da prova, você deverá permanecer no local 

de realização da mesma por, no mínimo, noventa minutos.

 

TIPO DE PROVA 

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TÓPICO: Literatura Brasileira  
 
Texto 1 
 
 

Só  a  antropofagia  nos  une.  Socialmente. 

Economicamente. Filosoficamente. 
 

Única  lei  do  mundo.  Expressão  mascarada  de 

todos os individualismos, de todos os coletivismos. De 
todas as religiões. De todos os tratados de paz. 
 

Tupi, or not tupi that is the question. 

 

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos 

Gracos. 
 

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. 

Lei do antropófago. 

 

(ANDRADE, Oswald de. Manifesto antropófago. In: O rei da vela; 

Manifesto pau-brasil; Manifesto antropófago. Rio de Janeiro: Paz e 

Terra, 1996. p.19) 

Texto 2 

américa amem 
 
américa amem 
me ensinou a ser assim 
antropofágico pagão 
um fauno de calça lee 
 
américa amem 
palavras 
palas 
palavreados 
 
américa amem 
woody woody 
voo doo 
feijão 

 arroto 

 
américa amem 
nosso desespero 
nossa paixão 
imensa 

 

(Chacal. América (1975). In: Tudo (e mais um pouco): poesia 

reunida (1971-2016). São Paulo: Editora 34, 2016. p. 301.) 

 
 
01
 

O  Manifesto Antropófago,  publicado  em  1928  e 

escrito  por  Oswald  de  Andrade,  tornou-se  uma  das 
referências fundamentais do modernismo brasileiro. A 
leitura  do  fragmento  do  manifesto  (texto  1)  esclarece 
que a antropofagia constituiu uma proposta de: 
 
(A) 

acentuação das diferenças linguísticas. 

(B) 

defesa da igualdade entre os indivíduos. 

(C) 

assimilação da contribuição estrangeira. 

(D) 

recusa das regras socialmente impostas. 

(E) 

união de todos os setores da vida humana. 

 
 
02 

Na década de 1970, observou-se, no Brasil, uma 

ampla  produção  de  poesia  que  ficou  conhecida  como 
marginal.  No  poema  “América”  (texto  2),  a 
autodeclaração do eu poético como “antropofágico” faz 

referência  ao  Manifesto  Antropófago  de  Oswald  de 
Andrade  (texto  1),  porém  a  perspectiva  apresentada 
por Chacal diferencia-se por: 
 
(A) 

assinalar  a  ambiguidade  entre  submissão  e 
adesão apaixonada aos modelos. 

(B) 

fazer a distinção entre os produtos da cultura de 
massa e os da alta cultura. 

(C) 

escolher a ironia como recurso para elaboração 
da revisão crítica da tradição. 

(D) 

restabelecer  o  passado  da  antiguidade  clássica 
como modelo linguístico e cultural. 

(E) 

estimular  a  comercialização  e  o  consumo  de 
produtos culturais industrializados. 

 
Texto 3 

O EXERCÍCIO DA CRÔNICA 
 

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, 
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na 
qual este é levado meio a tapas pelas personagens e 
situações  que,  azar  dele,  criou  porque  quis.  Com  um 
prosador  do  cotidiano,  a  coisa  fia  mais  fino.  Senta-se 
ele  diante  de  sua  máquina,  acende  um  cigarro,  olha 
através da janela e busca fundo em sua imaginação um 
fato  qualquer,  de  preferência  colhido  no  noticiário 
matutino,  ou  da  véspera,  em  que,  com  as  suas 
artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. 
Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno 
e  esperar  que,  através  de  um  processo  associativo, 
surja-lhe  de  repente  a  crônica,  provinda  dos  fatos  e 
feitos  de  sua  vida  emocionalmente  despertados  pela 
concentração. Ou então, em última instância, recorrer 
ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas 
do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado. 

 

(MORAES, Vinícius de. Para viver um grande amor: crônicas e 

poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. p. 17.) 

 
03 

A prática da crônica está intimamente associada 

à vida diária e comum. A relação do texto de  Vinícius 
de Moraes (texto 3) com as marcas próprias do gênero 
está expressa na preocupação em: 
 
(A) 

abordar a rotina de trabalho do cronista. 

(B) 

reforçar a objetividade do texto em prosa. 

(C) 

refletir sobre a produção literária brasileira. 

(D) 

discutir problemas inventados pelo cronista. 

(E) 

empregar figuras de linguagem diversificadas. 

 
 
Texto 4 

POESIA 

Gastei uma hora pensando um verso 
que a pena não quer escrever. 
No entanto ele está cá dentro 
inquieto, vivo. 
Ele está cá dentro 
e não quer sair. 
Mas a poesia deste momento 
inunda minha vida inteira. 

 

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: 

Companhia das Letras, 2013. p. 45.) 

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04 

Alguns  procedimentos  tornaram-se  determinantes 

na    produção    moderna    de    poesia.  Nesse  sentido, 
entende-se  que  a  modernidade  do  poema  de  Carlos 
Drummond de Andrade (texto 4) deve-se à valorização da: 
 
(A) 

beleza. 

(B) 

oralidade. 

(C) 

idealização. 

(D) 

autorreflexão. 

(E) 

impessoalidade. 

 
Texto 5 

 

A PATA DA GAZELA 

 
Houve  uma  ocasião  em  que  o  mancebo  quis 

representar  em  sua  lembrança  a  imagem  da  moça; 
naturalmente  começou  interrogando  sua  memória  a 
respeito  dos  traços  principais.  Como  era  ela?  Alta  ou 
baixa, torneada ou esbelta, loura ou morena? Que cor 
tinham seus olhos? 

 A  nenhuma  dessas  interrogações  satisfez  a 

memória; porque não recebera  a  impressão particular 
de  cada  um  dos  traços  da  moça.  Não  obstante,  a 
aparição encantadora ressurgia dentro de sua alma; ele 
a  revia  tal  como  se  desenhara  a  seus  olhos  algumas 
horas antes. [...] 

— Quem sabe? Talvez  não seja ela o  que nos 

bailes se chama uma moça bonita; talvez não tenha as 
feições  lindas  e  o  talhe  elegante.  Mas  eu  a  amo!... O 
amor é sol do coração; imprime-lhe o brilho e o matiz! 
Vênus, a deusa da formosura, surgindo da espuma das 
ondas,  não  é  outra  cousa  senão  o  mito  da  mulher 
amada, surgindo d'entre  as puras  ilusões do coração! 
O que eu admiro nela, o que me enleva, é sua beleza 
celeste; é o anjo que transparece através do invólucro 
terrestre; é a alma pura e imaculada que se derrama de 
seus lábios em sorrisos, e a envolve como a cintilação 
de uma estrela. 
 

(ALENCAR, José de. A pata da gazela. Rio de Janeiro: Garnier, 

1870. p. 33-35.) 

 

Texto 6 

O ALIENISTA 

 

As  crônicas  da  vila  de  Itaguaí  dizem  que  em 

tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão 
Bacamarte,  filho  da  nobreza  da  terra  e  o  maior  dos 
médicos  do  Brasil,  de  Portugal  e  das  Espanhas. 
Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos 
regressou  ao  Brasil,  não  podendo  el-rei  alcançar  dele 
que  ficasse  em  Coimbra,  regendo  a  universidade,  ou 
em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia. 

– A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu 

emprego único; Itaguaí é o meu universo. 

Dito isso, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de 

corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas 
com  as  leituras,  e  demonstrando  os  teoremas  com 
cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista 
da  Costa  e  Mascarenhas,  senhora  de  vinte  e  cinco 
anos,  viúva  de  um  juiz  de  fora,  e  não  bonita  nem 
simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante 
o  Eterno,  e  não  menos  franco,  admirou-se  de 

semelhante  escolha  e  disse-lho.  Simão  Bacamarte 
explicou-lhe  que  D.  Evarista  reunia  condições 
fisiológicas  e  anatômicas  de  primeira  ordem,  digeria 
com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, 
e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos 
robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, 
–  únicas  dignas  da  preocupação  de  um  sábio,                 
D.  Evarista  era  mal  composta  de  feições,  longe  de 
lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o 
risco  de  preterir  os  interesses  da  ciência  na 
contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. 

 

(ASSIS, Machado de. O alienista. In: Obra Completa. Vol. II. Rio de 

Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 253-254.) 

 

 
05
 

As personagens masculinas dos textos 5 e 6, o 

mancebo  e  o  cientista,  respectivamente,  não 
consideram  importante  a  beleza  das  mulheres  com 
quem  estão  envolvidos;  diferem,  porém,  quanto  aos 
parâmetros  que  julgam  relevantes.  As  diferenças  de 
ponto de vista revelam: 
 
(A) 

o  objetivismo  da  apreciação  do  mancebo  e  o 
naturalismo da abordagem do cientista. 

(B) 

o  romantismo  da  apreciação  do  mancebo  e  o 
surrealismo da abordagem do cientista. 

(C) 

o  idealismo  da  apreciação  do  mancebo  e  o 
materialismo da abordagem do cientista. 

(D) 

o  realismo  da  apreciação  do  mancebo  e  o 
sensorialismo da abordagem do cientista. 

(E) 

o impressionismo da apreciação do mancebo e o 
expressionismo da abordagem do cientista. 

 
 
06 

O  narrador  na  obra  de  Machado  de  Assis,  com 

frequência,  desestabiliza  convicções  e  lança  dúvida 
sobre  informações  e  considerações  apresentadas  na 
própria narrativa, como no texto 6 se encontra expresso 
no emprego: 
 
(A) 

dos  topônimos  “Coimbra”,  “Pádua”  e  “Itaguaí”, 
pois  o  acúmulo  de  menções  geográficas  leva  à 
indefinição do espaço narrativo. 

(B) 

do  verbo  “dizem”  e  da  expressão  “tempos 
remotos”,  pois  conferem  imprecisão  às 
referências utilizadas para narrar a história. 

(C) 

da  construção  “estava  assim  apta  para  dar-lhe 
filhos robustos”, pois revela a opinião do narrador 
sobre a personagem em questão. 

(D) 

das  expressões  “certo  médico”  e  “filho  da 
nobreza”, 

pois 

geram 

contradição 

na 

composição 

da 

personagem 

de 

Simão 

Bacamarte.  

(E) 

do 

discurso direto em “A ciência, disse ele a Sua 

Majestade, é o meu emprego único”, pois coloca 
em evidência o que pensa a personagem. 

 
 
 
 
 
 
 

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Texto 7 
 

INSONE 

 
Noite feia. Estou só. Do meu leito no abrigo 
cai a luz amarela e doentia do luar; 
tediosa os olhos fecho, a ver, se, assim, consigo, 
por momentos sequer, o sono conciliar. 
 
Da janela transpondo o entreaberto postigo 
entra um perfume humano impelido pelo ar... 
“és tu meu casto Amor? és tu meu doce amigo, 
que a minha solidão vens agora povoar?” 
 
A insônia me alucina, ando num passo incerto:  
“és tu que vens... és tu! – reconheço esse odor...” 
corro à porta, escancaro-a: acho a treva e o Deserto. 
 
E este aroma que é teu, aspirando, suponho 
que a essência da tua alma, ó meu divino Amor! 
para mim se exalou no transporte de um sonho. 
 

(MACHADO, Gilka. Poesia completa. Prefácio de Maria Lúcia Dal 

Farra. São Paulo: V. de Mendonça Livros, 2017. p. 128.) 

 
07
 

O  soneto  de  Gilka  Machado  apresenta 

elementos típicos da poesia simbolista, dentre os quais 
destaca-se a exploração: 
 
(A) 

da  desumanidade  dos  indivíduos,  como  se 
observa em “cai a luz amarela e doentia do luar”. 

(B) 

do embotamento dos sentidos, como se observa 
em  “tediosa  os  olhos  fecho,  a  ver,  se,  assim, 
consigo”. 

(C) 

da  sonoridade  das  palavras,  como  se  observa 
em  “A  insônia  me  alucina,  ando  num  passo 
incerto”. 

(D) 

do individualismo dos homens, como se observa 
em “que a minha solidão vens agora povoar?“. 

(E) 

da ambiguidade das emoções, como se observa 
em “corro à porta, escancaro-a: acho a treva e o 
Deserto”. 

 
 
08
 

O tema da noite e do sonho, explorado no poema 

de Gilka Machado (texto 7), também foi importante em 
outro movimento literário, conhecido como: 
 
(A) 

Arcadismo. 

(B) 

Romantismo. 

(C) 

Realismo. 

(D) 

Parnasianismo. 

(E) 

Modernismo. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Texto 8 

PONCIÁ  VICÊNCIO 

 

Quando  os  filhos  de  Ponciá    Vicêncio,  sete, 

nasceram e morreram, nas primeiras perdas ela sofreu 
muito. Depois, com o correr do tempo, a cada gravidez, 
a  cada  parto,  ela  chegava  mesmo  a  desejar  que  a 
criança não sobrevivesse. Valeria a pena pôr um filho 
no  mundo?  Lembrava  da  sua  infância  pobre,  muito 
pobre na roça e temia a repetição de uma mesma vida 
para  os  seus  filhos.  O  pai  trabalhava  tanto.  A  mãe 
pelejava  com  as  vasilhas  de  barro  e  tinham  apenas 
uma casa de pau a pique em que viviam. E esta era a 
condição  de  muitos.  Molambos  cobriam  o  corpo  das 
crianças,  que  até  bem  grandinhos  andavam  nuas.  As 
meninas não. Assim que cresciam um pouco, as mães 
providenciavam  panos  para  tapar-lhes  o  sexo  e  os 
seios.  Crescera  na  pobreza.  Os  pais,  os  avós  e  os 
bisavós sempre trabalhando na terra dos  senhores.  A 
cana,  o  café,  toda  a  lavoura,  o  gado,  as  terras,  tudo 
tinha  dono,  os  brancos.  Os  negros  eram  donos  da 
miséria,  da  fome,  do  sofrimento,  da  revolta  suicida. 
Alguns saíam da roça, fugiam para a cidade, com a vida 
a  se  fartar  de  miséria,  e  com  o  coração  a  sobrar 
esperança. Ela mesma havia chegado à cidade com o 
coração crente em sucessos e eis no que deu. 
 

(EVARISTO, Conceição. Ponciá  Vicêncio. Rio de Janeiro: Pallas, 

2017. p. 70.) 

 
09
 

A escritora contemporânea brasileira Conceição 

Evaristo  vem  sendo  reconhecida  por  sua  atuação  a 
favor  da  causa  das  mulheres  e  negros  no  Brasil.  Sua 
prosa  convoca,  muitas  vezes,  o  autobiográfico, 
promovendo entrelaces entre o trabalho de criação e a 
vida da autora. No contexto atual da literatura brasileira, 
o texto 8 exemplifica: 
 
(A) 

o  êxodo  rural  segundo  o  modelo  do  romance 
social de 1930.  

(B) 

a  perspectiva  determinista  da  ficção  realista  do 
século XIX. 

(C) 

monólogo 

interior 

como 

forma 

de 

desconstrução da narrativa. 

(D) 

a experimentação vanguardista para renovação 
da linguagem literária. 

(E) 

o  tratamento  de  questões  sociais  por  meio  de 
experiências subjetivas. 

 
10 

A  relação  entre  carência  e  abundância  é 

problematizada no texto 8 por meio: 
 
(A) 

da  antítese  em 

“ela  chegava  mesmo  a  desejar 

que a 

criança não sobrevivesse”. 

(B) 

do  hipérbato  em 

“Lembrava  da  sua  infância 

pobre, muito pobre na roça e temia a repetição”. 

(C) 

da  metonímia  em 

“Molambos  cobriam  o  corpo 

das crianças, que até bem grandinhos andavam 
nuas”. 

(D) 

do  paradoxo  em 

“com  a  vida  a  se  fartar  de 

mi

séria, e com o coração a sobrar esperança”. 

(E) 

da metáfora em 

“havia chegado à cidade com o 

coração crente em sucessos e eis no que deu”. 

 

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TÓPICO: Raciocínio Lógico e Noções de Informática 
 
11
  

A  quantidade  de  siglas  com  quatro  letras 

distintas,  formadas  a  partir  das  letras  do  conjunto                   
{A, B, C, D, E, F}, é igual a: 
 

(A) 

360. 

(B) 

720. 

(C) 

1200. 

(D) 

1296. 

(E) 

1340. 

 
12  

O próximo número que completaria a sequência 

lógica 1, 4, 3, 16, 5, ..., é: 
 
(A) 

25. 

(B) 

36. 

(C) 

7. 

(D) 

49. 

(E) 

81. 

 
13 

Em  um  grupo  estão  reunidas  13  pessoas.  Das 

afirmações 

abaixo, 

única 

necessariamente 

verdadeira é: 
 
(A) 

pelo menos uma delas é estrangeira. 

(B) 

pelo menos duas delas são do sexo feminino. 

(C) 

pelo  menos  duas  delas  fazem  aniversário  no 
mesmo mês. 

(D) 

pelo menos uma delas nasceu em março. 

(E) 

pelo  menos  uma  delas  mede  mais  do  que            
1,60 m. 

 
14
  

A  negação  lógica  da  afirmação  condicional  “se 

Ana adoece, então Pedro fica triste” é: 
 
(A) 

se Ana não adoece, Pedro não fica triste. 

(B) 

se Ana adoece, então Pedro não fica triste. 

(C) 

Ana adoece ou Pedro não fica triste. 

(D) 

Ana adoece e Pedro não fica triste. 

(E) 

se Pedro fica triste, Ana adoece. 

 

15  

Um  grupo  de  500  estudantes  participa  de  uma 

pesquisa. 

Sabe-se 

que 

desses 

estudantes,                      

200  estudam  Física,  240  estudam  Matemática,                        
80  estudam  Matemática  e  Física.  Se  um  desses 
estudantes for sorteado, a probabilidade de que ele não 
estude Matemática e nem Física é: 
 
(A) 

14%. 

(B) 

28%. 

(C) 

36%. 

(D) 

45%. 

(E) 

50% 

 
16
  

Avalie  se  são  verdadeiras  (V)  ou  falsas  (F)  as 

afirmativas  a  seguir  sobre  o  sistema  operacional 
Windows 7. 
 
I  Para  acessar  pastas  compartilhadas  as  pessoas 

devem ter uma conta de usuário e uma senha. 

II  O  sistema  operacional  não  possui  um  assistente 

para configuração de rede sem fio. 

III  A conexão com a internet e o concentrador de rede 

são  elementos  opcionais  de  hardware  para 
funcionamento de uma rede ponto a ponto.  

 
As afirmativas I, II e III são, respectivamente: 
 
(A) 

V, F e V. 

(B) 

F, F e V. 

(C) 

V, F e F. 

(D) 

F, V e V. 

(E) 

V, V e V. 

 
17  

Suponha  que  você  digitou  COR??.*  na  caixa 

“pesquisar”  do  Windows  7.  Um  possível  resultado  da 
localização de arquivos será: 
 
(A) 

CORDOBA.txt. 

(B) 

CORAL.doc. 

(C) 

CORRENTE.wmf 

(D) 

COR??.bmp 

(E) 

COR.gif. 

 
18  

Na  segurança  da  Informação  existe  um  tipo  de 

ataque  em  que  iscas  como  “mensagens  não 
solicitadas”  são  utilizadas  para  capturar  senhas  e 
dados  de  usuários  na  Internet.  Esse  ataque  é 
conhecido como: 
 
(A) 

spoofing. 

(B) 

hijacking. 

(C) 

engenharia social. 

(D) 

phishing. 

(E) 

cookies. 

 
19  

Considere a seguinte planilha no MS Excel 2016: 

 

Na planilha supracitada, as células D1, D2, D3, D4, E1, 
E2, E3 e E4 possuem, respectivamente, os  seguintes 
valores: 3, 20, 2, 4, 5, 12, 6 e 1. Ao se executar na célula 
E5 a fórmula =$D1-E2+D2, o MS Excel retornará: 
 
(A) 

1. 

(B) 

29. 

(C) 

0. 

(D) 

32. 

(E) 

11. 

 
 
 
 
 

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20  

No  MS  Word  2016,  o  recurso  para  fazer  a 

contagem de parágrafos em um texto digitado é: 
 
(A) 

pincel de formatação. 

(B) 

ortografia e gramática. 

(C) 

contagem de palavras. 

(D) 

estrutura de tópicos. 

(E) 

referência cruzada. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espaço reservado para rascunho 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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TÓPICO: Conhecimentos Específicos 

Após a leitura dos textos, responda às questões que se 
seguem: 

 

Texto 1  

 

 

 

  O  estudioso  russo  Mikhail  Bakhtin  afirma  que 

não existe atividade mental sem expressão linguística 
e que devemos “eliminar de saída o princípio de uma 
distinção  qualitativa  entre  o  conteúdo  interior  e  a 
expressão exterior”.
 No meio escolar, é muito comum o 
aluno afirmar que sabe determinado assunto, mas que 
não sabe expressar, não sabe falar sobre ele. 
 

  Bakhtin, 

como 

precursor 

da 

linguística 

moderna,  enfatiza  o  caráter  social  da  linguagem  e, 
consequentem

ente, o seu caráter dialógico: “a palavra 

dirige-

se  a  um  interlocutor”.  E  é  a  presença  desse 

interlocutor que definirá o seu perfil, ou seja, em função 
do ouvinte, ela será mais formal ou mais coloquial, mais 
cuidada  ou  mais  solta.  A  presença  do  interlocutor  é 
também  o  elemento  desafiante,  que  vai  provocar  o 
sujeito  para  que  ele  organize  sua  expressão  verbal. 
Assim,  Bakhtin  conclui  que  “não  é  a  atividade  mental 
que  organiza  a  expressão,  mas,  ao  contrário,  é  a 
expressão  que  organiza  a  atividade  mental,  que  a 
modela e determina sua orientação”.
           
 

  Diante de uma afirmação como essa, vemos o 

quanto  é  importante  e  mesmo  determinante,  no 
desenvolvimento  da  criança  e  do  jovem,  a  interação 
professor/alunos e alunos/alunos no cotidiano escolar. 
E vemos o quanto é essencial que o professor estimule 
o  exercício  da  verbalização  entre  eles,  o  quanto  é 
necessário  que  eles  aprendam  a  se  colocar  como 
ouvintes  dos  colegas  e  a  disciplinar  o  acesso  à  fala, 
permitindo que todos tenham  o direito à sua própria 
palavra

Essa 

é 

condição 

mesma 

do 

desenvolvimento cognitivo de todos e condição para o 
desenvolvimento e o domínio da linguagem.  
 

  É  ainda  Bakhtin  quem  esclarece  melhor, 

mostrando o quanto é importante o interlocutor em todo 
processo  de  enunciação:  “Na  realidade,  toda  palavra 
comporta duas faces. Ela é determinada tanto pelo fato 
de que procede de alguém, como pelo fato de que se 
dirige para alguém. Ela constitui justamente
 produto 
da  interação  do  locutor  e  do  ouvinte
.  Toda  palavra 
serve de expressão a um em relação ao outro. Através 
da  palavra  defino-me  em  relação  ao  outro,  isto  é,  em 
última  análise,  em  relação  à  coletividade.  A  palavra  é 
uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. 
Se ela se apoia sobre mim, numa extremidade, na outra 
apoia-se  sobre  o  meu  interlocutor.  A  palavra  é  o 
território comum do locutor e do interlocutor

.” 

 

  O  papel  representado  pelo  grupo  social  com 

que  se  convive  e  que  nos  serve  de  interlocutor  é  da 
maior  importância,  diante  do  que  Bakhtin  nos  expõe. 
Penso  que,  para  nós,  professores  que  atuamos  na 
escola  pública  brasileira,  interagindo  com  crianças  e 
jovens  provenientes  dos  meios  sociais  dos  mais 
desfavorecidos,  atentar  para  essa  questão  da 
linguagem é um imperativo básico. Só assim, com um 
olhar  munido  de  uma  compreensão  maior,  podemos 
melhor  cumprir  a  tarefa  que  o  nosso  tempo  histórico 

nos  coloca.  A  escola  constitui,  para  muitas  dessas 
crianças  e  jovens,  um  dos  poucos,  talvez  o  único 
interlocutor  em  condições  de  interagir  com  eles  e 
contribuir para a evolução de sua linguagem. E é bom 
lembrar, mais uma vez: seu desenvolvimento cognitivo 
depende  do  desenvolvimento  de  sua  linguagem. 
Gostaria de lembrar que, diante de um livro ou de um 
texto,  no  ato  de  leitura  somos  desafiados  por  este 
interlocutor que nos fala através da palavra impressa. 
Ao ler, nós organizamos um discurso interno ao sermos 
provocados  pelo  discurso  lido,  nos  lembramos  de 
leituras  ou  experiências  anteriores,  relacionamos  com 
outros  textos  que  tratam  do  mesmo  assunto.  Mesmo 
quando não comentamos o texto com alguém, mesmo 
quando não escrevemos uma crítica ou resenha sobre 
ele, nós temos uma participação ativa na interação com 
a linguagem e com o sentido do texto. Essa é também 
uma forma de diálogo, e das mais enriquecedoras. 
 
(

MARIA, Luzia de. Amor literário: dez instigantes roteiros para você 

viajar pela cultura letrada. Rio: Ler & Cultivar  

editora, 2016, p. 250-1.)

 

 

21 

Em relação a crianças e jovens no cotidiano dos 

estudos  da  linguagem,  o  texto  está  orientado  no 
sentido de persuadir o leitor a concluir que: 
 
(A) 

a  interação  dialógica,  em  sentido  amplo,  é 
fundamental  em  sua  formação  social  e 
linguística. 

(B) 

precisam    todos,    como  exercício  de 
verbalização, antes de tudo aprender a ouvir em 
silêncio. 

(C) 

em aula, o diálogo com o professor e colegas é 
mais importante que a leitura de textos e livros. 

(D) 

a atuação do professor como locutor inconteste 
é necessária, mormente na escola pública. 

(E) 

para que todos tenham direito à própria palavra, 
é preciso restabelecer a disciplina em classe. 

 
 
22  

Para sustentar sua proposição, vale-se a autora 

de  diversas  estratégias  ao  longo  do  texto,  COM 
EXCEÇÃO apenas da seguinte: 

 

 

 

(A) 

ilustrar opinião com exemplo de ordem literária. 

(B) 

recorrer a argumento de autoridade. 

(C) 

apoiar-se em fato ou fatos da realidade social. 

(D) 

conquistar  a  adesão  do  leitor,  alinhando-se  a 
ele. 

(E) 

expor as ideias com consistência de raciocínio. 

 
 
23
  

A  assertiva  marcada  linguisticamente  no  texto 

para 

ser 

entendida 

pelo 

leitor 

como 

uma 

possibilidade é: 
 
(A) 

A  presença  do  interlocutor  é  também  o 
elemento  desafiante,  que  vai  provocar  o 
sujeito  para  que  ele  organize  sua  expressão 
verbal. (§ 2) 

(B) 

Essa é a condição mesma do desenvolvimento 
cognitivo  de  todos  e  condição  para  o 

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desenvolvimento  e  o  domínio  da  linguagem.                  
(§ 3) 

(C) 

O  papel  representado  pelo  grupo  social  com 
que se convive e que nos serve de interlocutor 
é  da  maior  importância,  diante  do  que  Bakhtin 
nos expõe. (§ 5) 

(D) 

Só  assim,  com  um  olhar  munido  de  uma 
compreensão maior, podemos melhor cumprir a 
tarefa que o nosso tempo histórico nos coloca. 
(§ 5) 

(E) 

E  é  bom  lembrar,  mais  uma  vez:  seu 
desenvolvimento 

cognitivo 

depende 

do 

desenvolvimento de sua linguagem. (§ 5)  

 
24    Em  Comunicação  em  prosa  moderna  (14  ed. 
Rio: FGV, 1988, p. X)

pretende Othon M. Garcia “dar 

aos jovens uma orientação capaz de levá-los a pensar 
com  clareza  e  objetividade  para  terem  o  que  dizer  e 
poderem  expressar-

se  com  eficácia”.  Daí  o  subtítulo 

de  seu  livro:  “aprenda  a  escrever,  aprendendo  a 
pensar”. Quanto ao ponto de vista expresso por esse 
mestre, eis a posição de Mikhail Bakhtin: 
 
(A) 

concorda inteiramente. 

(B) 

concorda, com restrições. 

(C) 

discorda inteiramente. 

(D) 

discorda, mas faz concessões. 

(E) 

discorda por não ser clara. 

 
25 

Dentre os pronomes em destaque, aquele que, 

no parágrafo 5, faz referência exofórica é: 
 
(A) 

representado  pelo  grupo  social  com  QUE  se 
convive. 

(B) 

atentar para ESSA questão da linguagem. 

(C) 

a  tarefa  que  o  NOSSO  tempo  histórico  nos 
coloca. 

(D) 

em condições de interagir com ELES. 

(E) 

contribuir para evolução de SUA linguagem. 

 
26  

Altera-

se fundamentalmente o sentido de: “Ela 

é  determinada  tanto  pelo  fato  de  que  procede  de 
alguém, como pelo fato de que se dirige para 

alguém” 

(§ 4) com a seguinte redação: 
 
(A) 

Ela é determinada pelo fato de que procede de 
alguém, tanto quanto pelo fato de que se dirige 
para alguém. 

 

 

 

 

(B) 

Ela  é  determinada  não  só  pelo  fato  de  que 
procede de alguém, senão também pelo fato de 
que se dirige para alguém. 

(C) 

Ela é determinada não pelo fato de que procede 
de alguém, senão que pelo fato de que se dirige 
para alguém. 

                                                                                                                                                                                

(D) 

Ela  é  determinada  quer  pelo  fato  de  que 
procede  de  alguém,  quer  pelo  fato  de  que  se 
dirige para alguém. 

(E) 

Ela é determinada pelo fato de que procede de 
alguém  e  pelo  fato  de  que  se  dirige  para 
alguém. 

 
 

27  

No  enunciado:  “Ela  constitui  justamente  

produto da interação do locutor e do ouvinte” (§ 4), 
é possível, sem alteração de sentido, substituir o nome 
“produto”  pela  seguinte  metáfora,  já  cristalizada  na 
língua: 
 
(A) 

fonte. 

(B) 

matriz. 

(C) 

fator. 

(D) 

fruto. 

(E) 

mola. 

 

 

28  

Na passagem: “em função do ouvinte, ela será 

mais formal ou mais coloquial, mais cuidada ou mais 
solta” (§ 2), faz-se no texto alusão a:

  

(A) 

funções da linguagem. 

 

 

 

(B) 

registros da língua padrão. 

(C) 

variantes socioculturais da língua. 

(D) 

variantes regionais da língua. 

(E) 

atos de fala. 

  
29  

Considere-

se  o  período:  “Mesmo  quando  não 

comentamos  o  texto  com  alguém,  mesmo  quando  não 
escrevemos uma crítica ou resenha sobre ele, nós temos 
uma  participação  ativa  na  interação  com  a  linguagem  e 
com o sentido do texto” (§ 5).  Chamando-se, pela ordem, 
de  A,  B  e  C  suas  orações,  seria  um  grande  equívoco 
afirmar que: 
 
(A) 

A é subordinada a C e coordenada a B. 

(B) 

B é coordenada a A e subordinada a C. 

(C) 

C é oração principal em relação a A e B. 

(D) 

A e B exercem a mesma função sintática. 

(E) 

A e B exprimem circunstância de tempo. 

 
Texto 2 
 

 

– Por que o senhor está sentado aí tão sozinho? indagou 

Alice, sem querer iniciar uma discussão. 

– Ora essa, porque não tem 

ninguém  aqui  comigo! 

– gritou Humpty-Dumpty.  – Pensou que eu 

não saberia responder essa, hein? Pergunte outra. 
 

(CARROLL, Lewis. Através do espelho e o que Alice encontrou lá. Trad. de 

Sebastião Uchoa Leite. 2 ed. Rio, Fontana-Summus, 1977, p. 192.) 

 

 

No  hilariante  diálogo  que  trava  com  Humpty-

Dumpty, personagem surrealista do País do Espelho, 
Alice  vê-se  inúmeras  vezes  perplexa  diante  dos 
conceitos  e  da  argumentação  com  que  ele 
agressivamente a enfrenta. Conciliadora, ela procura 
sempre  um  novo  assunto  para  reiniciar  a  conversa, 
tentando  apaziguar  o  mau  humor  de  seu  irascível 
interlocutor.  É  difícil:  lá  vem  ele  em  nova  investida 
verbal,  armado  de  um  raciocínio  aparentemente 
invulnerável.  Nesta  réplica  alucinada,  todavia,  por 
mais  vitorioso  que  Humpty-Dumpty  se  considere, 
quem escorregou na lógica foi ele. Nem podia ser de 
outro modo, pois sua cabeça (cabeça? ou corpo? Alice 
não sabe se a faixa que o circunda é uma gravata ou 
um  cinto)  funciona, como  tudo  nesse  mundo  surreal, 
por um processo de inversão da realidade. 

 

 

Preocupada  com  a  situação  daquele  estranho 

ser com formato de ovo 

– sentado sobre um muro do qual 

poderia  a  qualquer  momento  cair,  espatifando-se 

–,  

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10 

 

Alice quer saber a causa de estar ele ali tão só. Sua 
dúvida  situa-se  em  um  núcleo  da  frase  interrogativa, 
precisamente  aquele  que  corresponderia  ao  motivo 
desconhecido,  e  por  isso  mesmo  questionado:  “por 
quê?”.  A  resposta  a  uma  interrogação  nuclear  deve 
preencher  o  vazio  do  mundo

 

interrogante  com  um 

conteúdo esclarecedor. Os demais elementos da frase 
já  são  do  conhecimento de  Alice  e  equivalem  a  uma 
asserção: “O senhor está sentado aí tão sozinho”. 
   

Se  Humpty-Dumpty  não  queria  responder  ao 

que ela indagava, então dissesse algo como “não me 
amole”,  ou  “o  problema  é

 

meu

”. 

Mas,  como  ele 

pretendeu  satisfazer  a  curiosidade  da  menina, 
esperava-se um adjunto ou uma oração

 

adverbial de

 

causa,  que  poderia  ser  “por  preguiça”,  “por  não  ter 
coisa mais interessante para fazer”, ou ainda “porque 
este é um bom lugar e porque gosto de estar só”.   
 

A frase marota de Humpty-Dumpty é engraçada 

porque,  em  que  pese  sua  aparente  lógica,  ele  não 
respondeu à pergunta feita. Ignorando o item “estar aí 
sentado”, que se inclui na dúvida de Alice, pretendeu 
esclarecer  somente  a  causa  de  sua  solidão.  Na 
verdade,  porém,  limitou-se  a  definir  o  que  é  estar 
sozinho:  
é  não  ter  ninguém  consigo.  Sua  resposta  é 
parecida com ele e com seu  nome: os dois lados  de 
um ovo são praticamente iguais.  

 

 

 

Menos  que  uma  definição,  suas  palavras  são 

uma  redundância,  uma  imagem  espelhada  de  algo 
que Alice já sabia, visto que acabara de dizê-lo.  
 

O  fundamento  dessa  confusão  armada  por 

Humpty-Dumpty  é  de  natureza  gramatical 

–  mais 

especificamente,  sintática:  ele  não  utilizou,  como 
deveria,  uma  oração  subordinada  causal  (o  que  a 
menina  esperava),  mas  uma  coordenada  explicativa, 
que não esclarecia a dúvida de Alice. 
 

O problema, então, é distinguir a explicativa da 

causal,  quando  a  conjunção  que  as  encabeça  é, 
fonética e fonologicamente, a mesma: porque. De um 
ponto de vista sintático, poré

m, não o é. Aliás, “não o 

são” – no plural, visto que se trata de duas conjunções 
diferentes.  
 

Como  distingui-las?  Não  é  simples.  Mas 

esperamos que, ao término das reflexões que vamos 
desenvolver, isso fique, no mínimo, claro. Ou até fácil. 
Mário de Andra

de não diz que “abasta a gente saber”?  

 

(

CARONE. Flávia de Barros. Coordenação e subordinação, 

confrontos e contrastes. São Paulo: Ática, 1988, p. 7-9.)

 

 
30
  

Distinguir as orações coordenadas explicativas 

das  subordinadas  causais  não  é  simples,  e  tem  sido 
objeto de estudos recentes de não poucos estudiosos 
da  língua.  “Não  é  simples”  (§  8),  concede  a  autora, 
para logo em seguida anunciar que pretende: 

 

(A) 

refutar a tese da dificuldade. 

(B) 

fazer novas concessões. 

(C) 

justificar a opinião corrente. 

(D) 

apelar para autoridade no assunto. 

(E) 

resumir as ideias expostas. 

 

 

31  

“A  resposta  a  uma  interrogação  nuclear  deve 

preencher  o  vazio  do  mundo  interrogante  com  um 
conteúdo  esclarecedor”  (§  2),  afirma-se  no  texto. 
Dentre  as  interrogações  nucleares  a  seguir,  aquela 
cujo  núcleo  interrogativo  é  um  pronome  encontra-se 
em: 

(A) 

Ignoro a quem ela está querendo se referir. 

(B) 

Gostaria de saber como você está se sentindo 
hoje. 

(C) 

É  bom  que  me  diga  por  que  brigou  com  sua 
mãe. 

(D) 

Pergunto-lhe quando me devolverá os livros. 

(E) 

Faça o favor de me dizer onde estão seus pais.   

 

32    Em:

 

diante  dos  conceitos  e  da  argumentação 

COM que ele agressivamente a enfrenta” (§ 1) e em: 
“Preocupada  COM  a  situação  daquele  estranho  ser 
com formato de ovo” (§ 2), a preposição em destaque 
expressa,  respectivamente,  os  seguintes  valores 
relacionais:  

(A) 

companhia / modo. 

(B) 

oposição / causa. 

(C) 

oposição / companhia. 

(D) 

modo / instrumento. 

(E) 

instrumento / causa. 

 
 
33
  

A  opção  em  que  a  conjunção  COMO  tem  o 

mesmo  valor  sintático-

semântico  que  em:  “ele  não 

utilizou,  como  deveria,  uma  oração  subordinada 
causal” (§ 6) é: 
 
(A) 

Não sabemos COMO  Alice conseguia  dialogar 
com o surreal Humpty-Dumpty.   

(B) 

Alice, COMO todos os demais personagens de 
ficção, dialoga também conosco.  

(C) 

COMO  é  conciliadora,  ela  procura  sempre  um 
novo assunto para reiniciar a conversa. 

(D) 

Alice  com  sua  história  atravessa  os  tempos, 
COMO sonhou seu criador. 

(E) 

Eis, em suma, o modo COMO Alice se dirige a 
seu interlocutor. 

 

34 

Altera-

se  o  sentido  de:  “A  frase  marota  de 

Humpty-Dumpty  é  engraçada  porque,  em  que  pese 
sua  aparente  lógica,  ele  não  respondeu  à  pergunta 
feita” (§ 4), substituindo-se a locução prepositiva “em 
que pese” por: 

(A) 

apesar de. 

(B) 

por força de. 

(C) 

sem embargo de. 

(D) 

a despeito de. 

(E) 

não obstante. 

 
 
 

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11 

 

35  

O  sinal  de  dois  pontos  empregado  após:  “É 

difícil” (§ 1), “equivalem a uma asserção” (§ 2), “estar 
sozinho

”  (§  4),  “parecida  com  ele  e  com  seu  nome”               

(§ 4) e “mais especificamente, sintática” (§ 6) sinaliza, 
na escrita, uma pausa que anuncia uma: 
 
(A) 

citação. 

(B) 

consequência. 

(C) 

explicação ou justificativa. 

(D) 

síntese. 

(E) 

discriminação ou especificação. 

 
36
  

A  forma  verbal  cujo  morfema  que  acumula  as 

noções  de  MODO  e  TEMPO  é  zero  está  destacada 
em: 
 
(A) 

por  mais  vitorioso  que  Humpty-Dumpty  se 
CONSIDERE (§ 1) 

 

 

 

(B) 

aquele  que  CORRESPONDERIA  ao  motivo 
desconhecido (§ 2) 

(C) 

então  DISSESSE  algo  como  “não  me  amole”                
(§ 3) 

(D) 

visto que ACABARA de dizê-lo (§ 5) 

(E) 

ESPERAMOS  que  (...)  isso  fique,  no  mínimo, 
claro (§ 8) 

 
 
37  

Indica-se corretamente o processo de formação 

da palavra destacada em: 
 

(A) 

personagem

 SURREALISTA 

(§ 1) / derivação 

parassintética. 

 

(B) 

reiniciar  a  CONVERSA  (§  1)  /  derivação 
regressiva.

 

(C) 

nova  INVESTIDA  verbal  (§  1)  /  derivação 
prefixal. 

 

(D) 

mundo  INTERROGANTE

 

(§  2)  /  derivação 

imprópria.

 

(E) 

pretendeu  ESCLARECER  (§  4)  /  derivação 
sufixal.

 

 

Texto 3 

 

  ALUNA 

Conservo-te o meu sorriso 
para, quando me encontrares, 
veres que ainda tenho uns ares 
de aluna do paraíso... 

Leva sempre a minha imagem 
a submissa rebeldia 
dos que estudam todo o dia 
sem chegar à aprendizagem... 

– e, de salas interiores,  
por altíssimas janelas, 
descobrem coisas mais belas, 
rindo-se dos professores... 

 

Gastarei meu tempo inteiro 
nessa brincadeira triste; 
mas na escola não existe 
mais do que pena e tinteiro! 

E toda a humana docência 
para inventar-me um oficio 
ou morre sem exercício 
ou se perde na experiência... 

(MEIRELES, Cecília. Vaga música. Rio: Pongetti, 1942, p. 82-83.)

 

 

38  

A passagem em que, no poema, Cecília recorre 

ao  mesmo  tipo  de  paradoxo  por  ela  explorado  em: 
“mas  meu  nome,  de  barca  e  estrela,  /  foi  “SERENA 
DESESPERADA” é a seguinte: 

 

(A) 

veres  que  ainda  tenho  uns  ares  /  de  aluna  do 
paraíso. 

(B) 

Leva  sempre  a  minha  imagem  /  a  submissa 
rebeldia. 

(C) 

– e, de salas interiores, / por altíssimas janelas. 

(D) 

descobrem  coisas  mais  belas,  /  rindo-se  dos 
professores. 

(E) 

mas na escola não existe / mais do que pena e 
tinteiro. 

 
39  

Dentre os substantivos em destaque, aquele em 

que  o  fato  linguístico  da  homonímia  gera  uma 
possibilidade  de  ambiguidade  expressiva  que  não 
pode passar despercebida na leitura do poema é: 

 

(A) 

de ALUNA do paraíso. 

(B) 

sem chegar à APRENDIZAGEM. 

(C) 

rindo-se dos PROFESSORES. 

(D) 

mas na ESCOLA não existe. 

(E) 

mais do que PENA e tinteiro. 

 
40  

As  duas  estrofes  em  que  se  observam  no 

poema  apenas  rimas  ricas,  isto  é,  rimas  de  palavras 
de classes distintas, são: 

 

(A) 

a primeira e a segunda. 

(B) 

a primeira e a terceira. 

(C) 

a segunda e a quinta. 

(D) 

a terceira e a quarta. 

(E) 

a quarta e a quinta. 

 
41  

Dentre os demais versos do poema, aquele que 

apresenta a mesma distribuição de ictos 

– ou seja, de 

acentos tônicos 

– que “a submissa rebeldia” é: 

 
(A) 

de aluna do paraíso. 

(B) 

mais do que pena e tinteiro. 

(C) 

descobrem coisas mais belas. 

(D) 

para inventar-me um ofício. 

(E) 

ou se perde na experiência. 

 

   

42  

O verso em que se observa, no esquema rítmico 

do poema, um ditongo crescente intervocabular é: 
 
(A) 

para, quando me encontrares.  

(B) 

de aluna do paraíso. 

(C) 

dos que estudam todo o dia. 

(D) 

mas na escola não existe. 

(E) 

mais do que pena e tinteiro.  

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12 

 

43 

“A  linguagem  é,  ao  mesmo  tempo,  o  principal 

produto da cultura e o principal instrumento para a sua 
transmissão.” (Magda Soares)  
Sabe-se  que,  de  uma  maneira  geral,  a  linguagem 
utilizada por crianças e jovens das camadas populares 
se  diferencia  da  linguagem  socialmente  prestigiada. 
Durante muito tempo acreditou-se na existência de um 
‘déficit  linguístico’,  que  explicaria  o  fracasso  escolar 
desses  alunos.  Os  estudos  da  Sociolinguística 
constituem  o  principal  fundamento  da  contestação  da 
deficiência  cultural  e  linguística,  ao  afirmar  que  as 
linguagens são: 
 
(A) 

mais  ou  menos  sofisticadas,  de  acordo  com  o 
falante. 

(B) 

comuns  a  todos  os  usuários  da  Língua 
Portuguesa. 

(C) 

diferentes, mas não inferiores ou deficientes.  

(D) 

similares e igualmente valorizadas socialmente. 

(E) 

imperfeitas e incompletas nas classes populares. 

 
 
44  

A  Antropologia  já  demonstrou  que  não  se  pode 

considerar uma cultura superior ou inferior a outra: cada 
uma  tem  a  sua  integridade  própria,  o  seu  próprio 
sistema de valores e de costumes. Sob esse aspecto, 
o estudo das línguas de diferentes culturas deixa claro 
que  não há  línguas mais complexas ou mais simples, 
mais lógicas ou menos lógicas, todas elas são: 
 
(A) 

invariáveis,  de  acordo  com  a  posição  política  e 
geográfica que ocupam. 

(B) 

adequadas às necessidades e características da 
cultura a que servem.  

(C) 

completas, 

resistentes 

impermeáveis 

culturalmente. 

(D) 

significações características de tensões políticas 
e sociais. 

(E) 

manifestações  limitadas  à  comunidade  social  a 
que servem. 

 
 
45 

A  produção  e  a  circulação  de  textos  virtuais 

trazem  grandes  desafios  para  a  educação  formal  das 
novas  gerações.  Gêneros  de  discurso  variados  e 
historicamente  elaborados  convivem  com  os  novos, 
causando uma polêmica entre estudiosos e usuários da 
Internet  sobre  a  suposta  ameaça  de  empobrecimento 
da língua.  
 
Linguistas afirmam que a língua é uma sistematização 
aberta e que, portanto, os fenômenos que se observam, 
as  novas  formas  de  escrever  surgidas  com  a  Internet 
são: 
 
(A) 

revolucionárias e passageiras, características de 
uma determinada época. 

(B) 

equivocadas  e  prejudiciais  à  utilização  do  bom 
Português. 

(C) 

inofensivas, 

se 

forem 

reguladas 

pelos 

gramáticos e linguistas. 

(D) 

perniciosas  para  as  novas  gerações,  limitadas 
em seu vocabulário. 

(E) 

esperadas 

naturais, 

não 

configurando 

transgressões à língua.  

 
46
  

Ao  lidar  com  uma  variedade  tão  grande  de 

possibilidades  e  informações  virtuais,  as  crianças  e 
jovens entram em contato com novos desafios com os 
quais vão desenvolvendo novas habilidades na seleção 
do que lhes é oferecido. No que diz respeito à leitura e 
à escrita de telas de computador, pode-se afirmar que 
o  modelo  que  mais  se  aproxima  do  nosso  próprio 
esquema  mental  de  pensamento,  uma  vez  que  esse 
não  apresenta  limites  para  a  atribuição  de  sentido  às 
palavras, é o de:  
 
(A) 

significante e significado.  

(B) 

abstração e não formatação. 

(C) 

simultaneidade e não linearidade.  

(D) 

cognição e emoção. 

(E) 

concepção e ideia. 

 
 
47
  

Na Escola Pindorama, uma professora da turma 

de  terceiro  ano  do  Ensino  Fundamental  pediu  que  os 
alunos passassem a falar exatamente como escreviam. 
Ou  seja,  ‘vendo’,  ao  invés  de  [veno];  ‘coragem’,  ao 
invés de [corage]; ‘tomate’, ao invés de [tumati] etc. 
As  crianças  começaram  a  reclamar,  dizendo  que 
estava muito difícil falar daquele jeito. 
Dessa  maneira,  a  professora  desenvolveu  com  os 
alunos a ideia básica de que a língua falada não é mera 
reprodução  da  escrita,  desse  modo  não  falamos 
exatamente  como  escrevemos  e  vice-versa.  A 
aprendizagem  essencial,  nesse  momento,  foi  o 
entendimento de que: 
 
(A) 

a  correspondência  entre  os  sons  da  fala  e  a 
escrita fonética é invariável e envolve conceitos 
preestabelecidos. 

(B) 

as  variações  da  língua  falada  têm  significados 
diversos  e,  às  vezes,  contrários  aos  da  língua 
escrita. 

(C) 

as relações arbitrárias e não perfeitas entre sons 
e  letras  são  comuns  e  podem  confundir  os 
usuários da língua. 

(D) 

a  escrita  é  uma  representação  da  fala,  que 
possui  regras  próprias  de  realização,  que 
interage com a fala, mas não a reproduz.  

(E) 

as  diferenças  dialetais,  de  origem  social  e 
regional,  devem  ser  superadas  por  questões 
éticas e humanitárias. 

 
 
48
 

Numa  perspectiva  de  ensino  da  Língua 

Portuguesa baseado em textos, o papel dos dicionários 
e  das  gramáticas  ganha  novas  perspectivas.  Os 
dicionários  são  sempre  um  apoio  fundamental.  Os 
alunos  devem  aprender  a  utilizá-los,  porque  todo 
cidadão  precisa  de  dicionários.  Quanto  ao  ensino  da 
gramática, é  necessário  que,  em  aulas  de  Português, 
se desenvolva nos alunos uma capacidade de reflexão 
sobre os usos da língua. 

 

 

 

 

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13 

 

Nessa  visão  textual,  as  gramáticas  devem  ser 
consideradas como: 
 
(A) 

obras  de  consulta  para  as  dúvidas  que  o  aluno 
tenha. 

(B) 

livros  de  manuseio  diário  e  fonte  de  exercícios 
práticos. 

(C) 

inadequadas  para  a  utilização  no  Ensino 
Fundamental. 

(D) 

repositório de estruturas linguísticas clássicas. 

(E) 

registro dos fatos da língua, de pouca serventia 
para os usuários. 

 
 
49 

É relativamente recente a entrada, tanto no livro 

didático,  quanto  na  aula  de  Português,  de  vários 
gêneros  e  de  diferentes  tipos  de  texto,  o  que  é 
necessário, porque as práticas sociais são variadas. É 
preciso preparar o aluno para as habilidades de leitura 
e  de  produção  de  diversos  tipos  de  textos.  Daí  a 
entrada  de  textos  de  jornais,  textos  de  revistas,  a 
publicidade,  a  charge,  etc.  Mas  é  preciso  pensar  no 
outro  lado  da  questão,  pois  cabe  à  escola  também 
suprir  aquilo  que  não  circula  intensamente  na 
sociedade e que é importante que o indivíduo conheça 
e, preferencialmente, aprenda a gostar. É o caso: 
 
(A) 

das narrativas de cordel. 

(B) 

dos vídeos educativos. 

(C) 

das peças teatrais. 

(D) 

dos textos literários.  

(E) 

dos poemas de amor. 

 
 
50
 

Os computadores, assim como a televisão, não 

devem ser vistos apenas como mais uma tecnologia na 
sala  de  aula.  São  linguagens  diferentes.  Dessa 
maneira,  devem  ser  tratados  como linguagens que a 
escola  tem  o  dever  de  desenvolver,  porque  estão 
presentes  na  sociedade.  São  linguagens  que  o  aluno 
precisa aprender a ler, a compreender, a interpretar. O 
aluno  deve  aprender,  por  exemplo,  a  ser  um  leitor 
crítico  da  televisão.  Da  mesma  forma  que  se 
desenvolvem  habilidades  para  a  leitura  de  textos  no 
papel, é preciso desenvolver habilidades para a leitura 
do texto na tela. E o texto na tela combina palavras com 
imagens e sons. É uma leitura complexa que não deve 
ser passiva.  
 
O computador traz uma forma de leitura muito diferente, 
um outro tipo de texto, que é chamado de: 
 
(A) 

enunciação. 

(B) 

hipertexto.  

(C) 

metatexto. 

(D) 

contexto.  

(E) 

discurso. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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PROVA DISSERTATIVA  

Após  a  leitura  dos  trechos  que  seguem,  produza  um  texto  dissertativo-argumentativo,  conforme  a 
orientação apresentada. 

 

“A BNCC (Base Curricular Comum Curricular) afirma, de maneira explícita, o seu compromisso com a educação 
integral. Reconhece, assim, que a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o 
que  implica  compreender  a  complexidade  e  a  não  linearidade  desse  desenvolvimento,  rompendo  com  visões 
reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir 
uma  visão  plural,  singular  e  integral  da  criança,  do  adolescente,  do  jovem  e  do  adulto 

–  considerando-os  como 

sujeitos  de  aprendizagem 

–  e  promover  uma  educação  voltada  ao  seu  acolhimento,  reconhecimento  e 

desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades.  

Além  disso,  a  escola,  como  espaço  de  aprendizagem  e  de  democracia  inclusiva,  deve  se  fortalecer  na  prática 
coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito às diferenças e diversidades. Independentemente da 
duração da jornada escolar, o conceito de educação integral com o qual a BNCC está comprometida se refere à 
construção intencional de processos educativos que promovam aprendizagens sintonizadas com as necessidades, 
as possibilidades e os interesses dos estudantes e, também, com os desafios da sociedade contemporânea. Isso 
supõe considerar as diferentes infâncias e juventudes, as diversas culturas juvenis e seu potencial de criar novas 
formas de existir. 

Independentemente  da  duração  da  jornada  escolar,  o  conceito  de  educação  integral  com  o  qual  a  BNCC  está 
comprometida  se  refere  à  construção  intencional  de  processos  educativos  que  promovam  aprendizagens 
sintonizadas com as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes e, também, com os desafios 
da  sociedade  contemporânea.  Isso  supõe  considerar  as  diferentes  infâncias  e  juventudes,  as  diversas  culturas 
juvenis e seu potencial de criar novas formas de existir.”
  

(Fonte: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#introducao#os-fundamentos-pedagogicos-da-bncc) 

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Educadores de Maricá participam de seminário de Educação em Tempo Integral 

Repensar a modalidade do ensino oferecido nas escolas foi uma das propostas do 2º Seminário de Educação em 
Tempo  Integral,  realizado  na  manhã  desta  quinta-feira  (...).  Miguel  Arroyo,  foi  um  dos  palestrantes  do  encontro, 
direcionado  para  diretores,  orientadores  pedagógicos  e  educacionais  das  62  unidades  municipais  de  Maricá.  O 
seminário faz parte do Programa Municipal de Escolas de Tempo Integral (Prometi). 

A Secretária de Educação (...) disse: “Nossa missão é humanizar e pensar para além das grades da escola. Temos 
que nos preocupar com a formação plena dos educandos, sobretudo daqueles que a sociedade trata de maneira 
tão injusta, respeitando sempre a individualidade de cada um”, ressaltou a secretária. 

Para o sociólogo Miguel Arroyo, a função da pedagogia e da educação, desde Sócrates, é acompanhar a formação 
do ser humano em sua 

totalidade e garantir aos alunos o direito à humanidade. “Estamos em um momento em que 

a  escola  tem  que  pensar  radicalmente  sobre  que  infância  e  que  adolescência  estão  chegando  a  ela.  Quantas 
crianças  chegam  ameaçadas  de  morte?  Com  problemas  familiares?  V

ivendo  no  limite  da  sobrevivência?”.  Para 

Arroyo, educação integral não significa estender o tempo de permanência do aluno na escola. “A educação deve 
ser plena, integral e integrada e tem que garantir os direitos dos alunos enquanto sujeitos. Se queremos  construir 
uma educação integral temos que ter como referência a vida integral do aluno como um todo. E isso não se aprende 
em  livros  ou  nas  faculdades  e  sim  no  convívio  direto  com  o  educando.  A  educação  se  faz  na  interação  entre 
professores e professores, 

alunos e alunos, e professores e estudantes”, destacou o professor. (...) 

A gerente de Educação Integral em Tempo Integral (...) ressaltou que, desde 2009, a prefeitura investe em escola 
de  tempo  integral,  totalizando,  até  o  momento,  em  20  unidades,  com  a  previsão  de  mais  duas  escolas  da  rede 
municipal ampliarem o atendimento até o fim desse ano. “Estamos caminhando na questão da educação integral e 
por  isso é fundamental a discussão desse tema. Nossa meta é sempre buscar  a humanização  da escola  e uma 

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integração com a comunidade escolar como um todo. Nosso desafio é descobrir como transformar essa escola de 
modo a atender o ser humano e as diretrizes curriculares exigidas pelo Ministério da Educação”, disse.  

(Fonte: https://www.marica.rj.gov.br/2018/06/28/educadores-de-marica-participam-de-seminario-de-educacao-em-tempo-integral/) 

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Para você, Profissional da Educação, quais as relações entre o trecho da BNCC e a iniciativa da Prefeitura 
de Maricá, conforme relata a reportagem?  

Complemente  o  seu  texto  sugerindo  outras  ações  que  a  Prefeitura  de  Maricá  e  a  Secretaria Municipal de 
Educação podem implementar, para a viabilização das propostas do MEC. 

  No desenvolvimento da questão proposta, utilize os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação, 

além de seu conhecimento sobre a BNCC. 

  Seu texto deve ser escrito seguindo os padrões do tipo dissertativo, e redigido na modalidade padrão da 

Língua Portuguesa.  

  O texto deve ter entre 25 e 30 linhas.  
  Seu texto não deve conter fragmentos dos textos motivadores. 

 

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